sábado, 2 de março de 2013

Maratona de Nova York e São Paulo: Dois Casos Extremos


Uma Difícil Decisão: Cancelar, Adiar ou Manter?

 


Abstract: Recently we witnessed the cancellation and postponement of two marathons of great importance: The New York City Marathon, an international event, and one of the largest in the category (Majors), canceled in the month of December 2012. The other, the São Paulo City Marathon, one of Brazil's largest in this category, which was postponed by six months of schedule. Two different situations, but with one thing in common: in both cases, the financial loss and frustration of amateur and professional athletes who have dedicated themselves to this and were at the peak of physical fitness to meet the challenge.



                A maratona é um evento esportivo diferenciado quando comparado às demais distâncias abaixo dela. Trata-se de uma prova repleta de desafios e que envolve toda uma mística. A recompensa para quem conclui uma prova dessa categoria não é apenas uma medalha, camiseta alusiva ao evento ou um certificado de participação. A prova em si é muito mais do que isso. Trata-se de uma jornada que pode ser ao mesmo tempo reveladora, realizadora ou, por outro lado, expor todas as suas fraquezas.
                Por isso, ela envolve uma longa preparação. São meses de treinamento prévio. É uma jornada árdua. Para muitos atletas iniciantes e até mesmo experientes, não se trata meramente da corrida, que acaba sendo apenas um detalhe, mas sim de toda preparação necessária para alcançar o auge da forma física e merecer estar na linha de largada.
           Infelizmente, mesmo treinando arduamente e se preparando para tal, nem sempre tudo sai exatamente como foi planejado. Os atletas estão sujeitos a muitas surpresas nos dias que antecedem a prova. Pode ser uma forte chuva ou frio, quando estava previsto sol ou calor, como também pode ser o cancelamento ou o simples adiamento da prova, uma decisão discricionária e exclusiva do organizador, o que trás uma série de consequências, normalmente negativas para o corredor. A pior delas, além de prejuízos financeiros está na perda do condicionamento físico conquistado para enfrentar aquele momento.
                Recentemente o mundo da corrida presenciou o cancelamento e adiamento de duas importantes maratonas. Uma internacional, e considerada uma das maiores na categoria (Majors), a Maratona de Nova York, cancelada no início de dezembro de 2012 por motivos de força maior. A outra nacional, a Maratona de São Paulo, uma das maiores do Brasil, que foi adiada em seis meses da data prevista (28.04.2013).
                Obviamente, trata-se de duas situações distintas, mas com uma coisa em comum: em ambos os casos, o prejuízo financeiro e a frustração de atletas amadores e profissionais, que se dedicaram para tal e encontravam-se no ápice de sua forma física para enfrentar o desafio.
                As duas consequências são dramáticas, mas o ápice da forma física, talvez seja o mais difícil de alcançar. Acredita-se que os atletas em geral, tenham durante o ano, apenas uma ou duas oportunidades para alcançar o auge de sua forma física, ou seja, é quando decide enfrentar um desafio como esse. Caso ele não utilize esse potencial durante a sua temporada, certamente haverá consequências negativas, pois toda a preparação terá sido em vão.


Maratona de Nova York 2012: Cancelada


                A Maratona de Nova York é uma das maiores do mundo neste segmento. Ao lado das Maratonas de Boston e Chicago, está entre os eventos mais importantes dos EUA, além de ser uma das “World Marathon Majors”. A prova é realizada anuamente, desde 1970, com uma única exceção: 2012. Só para se ter uma ideia do tamanho da prova, em 2011 foram 45.103 concluintes.
                A prova nova-iorquina tinha motivos de sobra para ser cancelada: os danos infligidos pela “Tempestade Sandy”, que deixou grande parte da cidade destruída, alagada e milhares de pessoas desaparecidas ou desalojadas.  


Imagem 1. Maratona de Nova York: Cancelada

                Em 2012, antes do cancelamento, a Maratona de Nova York contabilizou mais de 47.000 inscrições realizadas. A maioria, proveniente de outras cidades americanas, além de outros milhares provenientes de outros países, como o Brasil. Independente da origem, milhares de atletas tiveram suas expectativas frustradas.
                Em Nova York, a prova foi cancelada na véspera do evento. Muitos atletas já haviam até retirado seus kits de participação. Para muitos estrangeiros que se deslocaram de seus países de origem, desembolsando com passagens aéreas e hotéis, os prejuízos foram enormes. Atletas brasileiros que compareceram estimaram algo em torno de R$ 30.000,00.
                O evento foi cancelado em decisão tomada conjuntamente pelo Prefeito da cidade e pelos organizadores do evento, sob a alegação de que seria de “mau gosto” realizar uma corrida, cujo percurso passaria pelos cinco bairros mais afetados, onde os moradores ainda sofriam pelos danos provocados pela tempestade. 


Imagem 2. Periódico americano critica o uso de geradores elétricos durante a maratona, enquanto milhares de novaiorquinos sofrem.

                Naquele momento eles não poderiam desviar a atenção de todo o trabalho importante e crítico que estava sendo conduzido na recuperação da cidade. Quem viu as imagens pode compreender facilmente essa necessidade. Para os atletas estrangeiros, a situação foi dramática, pois muitos não encontraram sequer onde ficar após vencerem as suas diárias de hotel.


Imagem 3. Estragos provocados pela Tempestade Sandy e críticas à realização da maratona nova-iorquina.

                De qualquer forma, não é à toa que a Maratona de Nova York conquistou o status de ser uma das “Majors”. Trata-se de um evento de tradição.  A prova é organizada pela New York Road Runners (NYRR). Eles tratam os atletas com respeito e seriedade.
                Sem dúvida alguma, foi uma das decisões mais difíceis de serem tomadas, especialmente por que todos os recursos para conduzir a prova já haviam sido coordenados. Administrar 47.000 atletas inscritos requer uma logística enorme. Como a Maratona foi um dos últimos eventos programados para o ano de 2012, não houve alternativa, a não ser, cancelá-la, mesmo a contragosto de milhares de atletas que já se encontravam em Nova York, inclusive com os seus kits de prova nas mãos.


Maratona de São Paulo: Adiada


                Nessa semana, muitos atletas brasileiros também experimentaram certo grau de frustração quando a Yescom, empresa geradora de entretenimento, esporte e comunicação e, também responsável pela realização da Maratona de São Paulo, anunciou o adiamento da prova em seis meses. A prova, que deveria ser realizada em 28 de abril, foi adiada para o dia 06 de outubro desse ano.


Imagem 4. Maratona de São Paulo.

                Para quem não sabe a Yescom também é responsável pela realização de outros eventos importantes do calendário brasileiro de corrida de rua, como a Meia Maratona de São Paulo, Meia Maratona das Cataratas de Foz do Iguaçu, a Corrida e Caminhada Criança Esperança (realizadas em diversas capitais do Brasil), Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro, Volta da Pampulha e a tradicional e “polêmica” Corrida de São Silvestre. Muitos desses eventos, transmitidos ao vivo pela televisão.
                A Maratona de São Paulo é realizada desde 1995. Esta seria a sua 19ª edição. De forma paralela, também são realizadas três corridas concomitantes: de 25 e 10 km e uma caminhada de 3 km, o que eleva o número de participantes. O evento têm realização e organização da Rede Globo e Yescom. A supervisão fica a cargo da IAAF, CBAt, AIMS e FPA, com apoio especial da Prefeitura de São Paulo e do Governo de São Paulo. A promoção e a transmissão são da TV Globo São Paulo, Sport TV, Esporte Espetacular e GloboEsporte.com.
                Segundo a organização, a prova foi transferida em função das obras para a construção do Monotrilho e dos grandes eventos que serão sediados na cidade. Com a mudança do evento para outubro, também se prometeu melhorias, como largada e chegada em frente ao obelisco no Ibirapuera. Outras medidas incluem uma largada mais cedo, às 7h40 e em ondas, para que os atletas mais rápidos saiam na frente.
                A decisão veio em um momento crítico e, consequentemente trouxe muitas polêmicas. A Maratona de São Paulo pode ser considerada uma prova tradicional. Entretanto, em número de participantes, hoje ela é considerada o segundo maior evento na categoria do país, ficando a trás da Maratona do Rio de Janeiro.
                Apesar do mês de abril ser considerado um mês favorável para o bom desempenho dos atletas, no último ano, a prova experimentou uma redução (confira no quadro abaixo) considerável no número de participantes. Provavelmente em função de seu percurso difícil, deficiência na estrutura da prova, como a falta de água no percurso, além ausência de premiação nas faixas etárias.


ANO
SÃO PAULO
RIO DE JANEIRO
CURITIBA
PORTO ALEGRE
2004
2.818
1.330
1.680
726
2005
2.177
1.504
1.157
1.139
2006
2.712
1.108
1.521
969
2007
2.368
1.600
1.539
963
2008
2.711
1.834
1.604
1091
2009
2.791
2.167
1.917
1.170
2010
3.030
2.562
1.958
1.323
2011
3.046
2.740
1.239
1.436
2012
2.395
2.960
1.395
1.415


                A realidade é que a maioria dos corredores não enxergou a alteração da data como uma boa iniciativa. Além do prejuízo financeiro, para aqueles que já adquiriram passagens aéreas e fizeram reservas em hotéis, essa mudança prejudica bastante quem está em franca preparação para o desafio paulista. Em abril, eles estariam no ápice de seu condicionamento. Para não perdê-lo, eles certamente terão que escolher outra prova.
                O maior problema é que essa não é uma situação isolada. A Yescom ao longo dos últimos anos vem causando muita polêmica com a tomada de decisões arbitrárias e por não ouvir a voz dos corredores. Um dos maiores exemplos são as mudanças frequentes na tradicional prova de São Silvestre, além da alteração nas datas de outras provas que já estavam definidas no calendário brasileiro de corrida de rua.
                Tudo isso contrariando e batendo de frente com os atletas, seus principais clientes. Para muitos, esta não é a primeira vez que eles alteram as datas de provas. Percebe-se aí uma evidente e reiterada falta de respeito ao consumidor, ou público que é cliente e necessita dessa prestação de serviços.
                Apesar da mesma distância, as maratonas de Nova York e São Paulo são dois casos bem diferentes um do outro. O peso da prova americana é, sem dúvida alguma, muito mais significativa. Não é à toa que ela é uma das cinco maiores maratonas do mundo.
                Não dá para comparar um evento que é realizado ano após ano, desde 1970 e que é capaz de reunir 47.000 atletas, com outro de apenas 19 anos e com capacidade de envolver um pouco mais de 2.000 atletas, apenas na maratona.
                Da mesma forma, o cancelamento da maratona nova-iorquina teve um fundamento mais do que justo e, mesmo trazendo aborrecimentos e uma série de prejuízos, poucas pessoas ousaram a contestar, ao contrário. O que não ocorre no exemplo brasileiro.
                De qualquer forma, ao adiar a prova, a Yescom apenas seguiu uma das cláusulas que normalmente estão previstas na maioria dos regulamentos. Assim, ela pode estar protegida, mas pode não estar com a razão. Infelizmente, no Brasil não dá para decidir em qual corrida participar com um prazo maior do que 60 dias.
                O grande problema mesmo parece estar no descaso com que a organizadora vem tratando os atletas brasileiros ao longo do tempo: com total falta de respeito! Vejamos o que os números dirão em 2013!
                Um grande abraço a todos e boas corridas!


Fontes de Apoio:

Revista Contra Relógio – Ano20 – No. 220 – Janeiro 2012.
Revista Contra Relógio – Ano 20 – No. 232 – Janeiro 2013.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Para Sempre Corredor - Parte II



A Corrida e o Envelhecimento



ABSTRACT: Running influences the aging process. In general, physical activity provides many benefits in the long term. Perhaps the biggest one is to increase the survival of a former sedentary. Run still slows the effects of aging, maintains functional capacity, retards disabilities and, in particular, makes individuals more healthy.



                A corrida surge para as pessoas em diferentes fases da vida. Independente disso, ela se constitui uma prática saudável e deve ser realizada com prazer. Em recente artigo publicado nesse blog desenvolveu-se uma análise para tentar entender o papel limitante da idade na corrida (http://companheirosdecorrida.blogspot.com.br/2013/02/para-sempre-corredor.html )
                Nessa análise, apresentaram-se dois exemplos de atletas bem sucedidos na terceira idade: o atleta centenário Fauja Singh, que aos 100 anos ainda corrida maratonas e, o corredor canadense Ed Withlock, que aos 80 anos completou a Maratona de Toronto com incríveis 3h15min50seg. Dois casos extremos, é verdade.
                Mesmo sendo dois casos raros, foram investigados, também, números de provas de longa distância nos EUA e na maior prova de média distância no Brasil, a São Silvestre. Ficou demonstrado que há muitos atletas que, para os padrões atuais da sociedade são considerados “idosos”, participando destes eventos. A maioria do sexo masculino. Eles correm e continuam sendo muito competitivos, mesmo quando comparado a atletas mais jovens.
                Duas importantes questões ficaram pendentes: Como eles conseguiram chegar a essa idade com tanta vitalidade e disposição para correr? Teriam encontrado a fonte da juventude? É o que se tentará entender agora.
                Para ilustrar a matéria, é apresentado o caso da atleta Libby James. Na Walt Disney World® Half Marathon 2013, em Orlando (EUA), Libby quebrou um recorde que perdurava desde 2009. Aos 76 anos, ela estabeleceu uma nova marca mundial para o sexo feminino na categoria de 75 a 79 anos em meia maratona com o tempo de 1h45min56s. Este desempenho notável substituiu o antigo recorde de 1h55min19seg que pertencia à Ginette Benard.


Imagem 1. A atleta Libby James.

                A corrida proporciona diversos benefícios para a saúde: faz perder peso ao diminuir as medidas corporais, melhora o sistema cardiorrespiratório, a circulação sanguínea, favorece uma boa noite de sono, melhora a postura e a aparência física, desacelera o processo de envelhecimento, retarda o aparecimento de doenças degenerativas, aumenta o fôlego, a flexibilidade e a força muscular, melhora a disposição sexual, a concentração e a disposição para o trabalho, ajuda a construir boas amizades. Tudo isso, torna o ser humano mais feliz.
                Por outro lado, estudos sugerem que acima dos 65 anos 70% das pessoas apresentarão pelo menos uma das seguintes doenças crônicas: hipertensão, artrose, diabetes e doenças vasculares. A boa notícia é que as atividades físicas podem atuar prevenindo o surgimento dessas doenças.
                A saga do homem para retardar os efeitos do envelhecimento remonta desde as sua origem. Foi na mitologia grega, que se criou o mito da Fonte da Juventude. Segundo a lenda, quem bebesse da água dessa fonte, proveniente dos deuses, seria capaz de ganhar a imortalidade. Desde então, o homem se tornou obcecado pela juventude e, consequentemente, a imortalidade.
                O fato é que a fonte nunca foi encontrada. Ainda assim, resiste a busca incessante do homem para conseguir retardar os efeitos do envelhecimento. Inúmeras alternativas têm sido colocadas em prática, como as soluções estéticas, uso de vitaminas, hormônio terapia, entre outras.
                O que se sabe é que a prática da corrida interfere diretamente sobre o envelhecimento. Hoje é indiscutível que o exercício físico proporciona diversos benefícios em longo prazo. Talvez, o maior deles, seja o de aumentar a sobrevida de um ex-sedentário.
                Correr é saudável! Ainda que seja uma atividade que produza alto impacto para o corpo, a prática da corrida melhora diversos parâmetros que avaliam a saúde geral de um indivíduo. O melhor de tudo isso, é que ela está ao alcance da grande maioria das pessoas.
                Fazer atividade física regularmente trás uma série de benefícios físicos e mentais, melhorando o bem-estar global do indivíduo. Tanto é, que os médicos prescrevem o exercício físico para pacientes sedentários, além de indicá-los como adjuvantes para tratamento da hipertensão, aterosclerose, diabetes e outras doenças.
                É verdade que, de vez em quando, se ouve notícias sobre mortes súbitas envolvendo atletas durante a prática de uma atividade física extenuante. Especialistas garantem que não há necessidades de alarme. Muitas vezes trata-se de pessoas que não fizeram um check-up cardiológico previamente ou desconheciam alguma condição subjacente que contra-indiciasse formalmente a realização de uma atividade física prolongada para eles.
                As estatísticas sugerem que o risco de ocorrer uma morte súbita em pleno esforço físico prolongado seja de uma morte a cada 50.000 participantes. Ou seja, quem corre uma “prova de fundo” terá, em teoria, um risco na ordem de 0,002% de vir a óbito. Felizmente, a verdade é uma só: a corrida, infinitamente, tem feito mais bem para as pessoas, do que mal, independentemente da idade em que se começou a praticá-la.
                Infelizmente, a introdução da atividade física na rotina das pessoas não é uma tarefa fácil e exige muitos sacrifícios. Correr é difícil! Cansa, exige disposição mental e física, machuca, deixa a respiração difícil e ofegante, faz soar, dói, além de exigir tempo suficiente na agenda do indivíduo para praticá-la. Começar a correr requer mudança no estilo de vida, o que não é nada fácil.
                É verdade que a corrida não é o único esporte saudável. O ciclismo, a natação, futebol, entre outros também conferem amplos benefícios e, podem até parecer mais agradáveis. Entretanto, apesar do aparente espírito solitário, a corrida proporciona benefícios singulares. Ela se configura como uma das atividades mais completas para o desenvolvimento do sistema cardiorrespiratório.
                Além disso, um de seus segredos é que ela pode ser competitiva ou não. É o corredor quem decide o que quer dela! É um esporte barato e ideal para toda a família e, talvez, o mais democrático de todos. Por isso, não havendo uma contraindicação formal, todos podem praticá-la, independente da idade! Não importa se está fora de forma, se é velho ou gordo. Com uma preparação adequada e alguns cuidados, todos podem correr.
                Ao adotarmos a corrida, exercitarmos regularmente e seguirmos as boas práticas de saúde, conseguiremos viver mais. Estudos sugerem que um modo de vida focada na boa forma física, pode estender a vida em seis a nove anos.
                Não se quer dizer que a corrida irá deixar alguém de 70 anos com a cara de um quarentão ou quarentona. Todavia, a prática regular da atividade pode ajudar e muito a desacelerar os efeitos do envelhecimento sobre essa pessoa, manter a sua capacidade funcional, retardar as incapacitações e, sobretudo, torná-lo (a) mais saudável.
                Sem dúvida alguma, o progresso e os vertiginosos avanços científicos também contribuem para o aumento da expectativa média de vida. Infelizmente, o que precisa ser compreendido é que, apesar do ser humano estar vivendo por mais tempo, isso não quer dizer que ele esteja vivendo melhor. O que está sendo estendido é a capacidade do homem lidar com as doenças crônicas. Porém, a rigor, com a inserção da atividade física regular, esse ganho em longevidade poderá ser alcançado com muito mais qualidade.
                No modelo da sociedade atual é mais desejável ser jovem do que velho. Neste ponto, a prática de exercícios pode exercer um importante papel. Como se sabe, a corrida melhora diversos parâmetros que avaliam a saúde geral de um indivíduo, especialmente a frequência cardíaca, a habilidade no processamento do oxigênio, a força de bombeamento de sangue do coração e a resistência vascular periférica. Todos esses fatores se constituem em indicadores comumente aceitos para se avaliar o envelhecimento.
                No Brasil, segundo o estatuto do idoso, são consideradas idosas as pessoas com idade igual ou superior a 60 anos. Felizmente, hoje está consagrado que ser ou não idoso é uma questão que está na “cabeça” das pessoas e as maiores barreiras para se alcançar os objetivos estão dentro delas próprias.
                Ainda é comum presenciar os mais jovens a desprezar e descartar os mais velhos, como se fossem incapazes de qualquer tipo de contribuição. São concepções equivocadas, o que pode levar os mais velhos a sentirem-se cada vez mais miseráveis e inúteis. Muitas vezes isso passa despercebido e, se faz muito pouco para impedir que isso aconteça. Além de ser uma atividade saudável, a corrida pode despertar nesse indivíduo, agora sexagenário, o prazer de sentir-se vivo.
                Porém, não demore a tomar uma decisão. Independente da idade que começar a correr, é importante que faça isso com regularidade, para que alcance todos os benefícios fisiológicos proporcionados pelo esporte. Se começar mais tarde, os benefícios serão proporcionalmente menores.
                As escolhas que fazemos hoje são responsáveis por sua saúde no futuro. Os estudos demonstram que o homem ganhou cerca de 20 anos de vida em duas gerações. A pouco tempo atrás vivia-se até os 56 anos. Atualmente chega-se aos 80 facilmente. Estudos apontam que ainda nesse século, o homem poderá viver bem até depois dos 100 anos.
                Os dados apresentados na matéria anterior, ainda indicam que nestes anos adicionados, o homem geralmente tende a viver melhor do que a mulher. Um dos segredos pode estar na prática frequente de atividade física, pois nesse quesito, as mulheres ainda ficam para trás.
                O ideal é não medir esforços para dar uma direção positiva ao processo de envelhecimento. Esse processo pode e deve ser realizado com dignidade. Para isso é necessário cultivar hábitos saudáveis, fazer exames rotineiros para a detecção precoce de doenças, controlar o fumo e o álcool, ter uma dieta adequada e, principalmente, aderir aos exercícios físicos.
                Morrer é uma condição natural da vida. Todos os indivíduos envelhecem e morrem. O que é necessário é escolher se queremos ter nos últimos 10 ou 20 anos que nos restam, uma vida saudável ou não! Ninguém precisa morrer após anos de sofrimento e dor.
                Boas corridas!


Fontes de Apoio:

KING, Ana; MAINOUS, Arch G; GEESEY, Mark E. - Turning Back the Clock: Adopting a Healthy Lifestyle in Middle Age. Department of Family Medicine, Medical University of South Carolina, Charleston, SC.


Estatuto do Idoso
Revista Contra Relógio – Ano 18 – No. 199 – Abril 2010
Revista Contra Relógio – Ano 19 – No. 219 – Setembro 2011
Revista Contra Relógio – Ano 19 – No. 219 – Dezembro 2011
Reista Contra Relógio – Ano 20 – No. 232 – Janeiro 2013
Revista O2 – No. 097 – Maio 2011
Revista Runner’s World – junho 2011
Revista Runner’s World – outubro 2009