domingo, 26 de agosto de 2012

Algumas Questões sobre o Doping


Algumas Questões sobre o Doping

                O triste episódio envolvendo o desportista Lance Armstrong joga mais luz sobre o doping. Trata-se de uma questão hoje relacionada não apenas aos atletas profissionais e de elite, mas, até mesmo, os atletas amadores. Todos buscam por uma “fórmula mágica”.
                O forte desejo de superação é tão antigo quanto a história do homem. Entretanto, na sociedade moderna, a vitória precisa respeitar regras institucionalizadas, além dos limites éticos e morais, como forma de impedir um ganho “artificial” e garantir uma competição justa. No mundo do esporte, o doping consegue quebrar todas estas regras.




                O doping consiste da violação de uma das regras do esporte competitivo. Por norma, é eminentemente proibido o uso de determinadas substâncias ou métodos que possam beneficiar o rendimento físico, fazendo o atleta obter vantagem sobre seus adversários. Aqui, as palavras “substâncias e métodos” conduzem a várias interpretações.
                O controle do doping é minucioso e se limita a análise química. Um teste positivo não atesta intenção do atleta, mas, sim o contato de seu organismo com a substância proibida. No esporte todo atleta é considerado culpado, até que se prove o contrário.
                Por assim entender, sempre que houver um resultado adverso em controle antidoping, o atleta terá o direito de um julgamento que seguirá uma seqüência hierárquica institucional, culminando na decisão final do órgão máximo do esporte. No mundo da competição de alto nível, é um longo e penoso processo, que abala não somente a imagem do atleta, mas também, da sua equipe e patrocinadores podendo, inclusive, levar ao término de sua carreira.
                Voltando à norma, recentemente li um artigo sugerindo que os termos “substâncias” ou “métodos” são abrangentes e controversos. Com razão, os recordes de algumas décadas atrás estavam em marcas que hoje seriam facilmente alcançadas por atletas amadores. Uma parte se deve aos avanços técnicos e melhor condicionamento físico. Entretanto, a outra parte pode ser facilmente atribuída aos avanços tecnológicos.
                Algumas questões que se sobressaem dessa análise seria:
  • Qual o real impacto da tecnologia nos recordes que superam limites aparentemente definitivos?
  • Como artifício ou métodos, por que "essas tecnologias" não endossam à lista de doping?
                É fácil imaginar essa questão, tendo em mente, por exemplo, o primeiro homem que surgiu em uma pista de saibro utilizando sapatilhas com tachas de prego, ou as roupas tecnológicas dos nadadores de alta perfomance, o acesso a equipamentos inovadores, permitindo que um grupo de atletas “eleitos” alcance um desempenho acima da média.
                Um exemplo mais extremo está no caso do atleta sul-africano Oscar Pistorius, que entrou para a história dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 como o primeiro atleta amputado das duas pernas a competir nas olimpíadas, utilizando próteses especializadas. É uma questão muito polêmica e um caso genuinamente de superação. Apesar de ter sido bem colocado nos jogos, o que teriam dito sobre as próteses se ele conseguisse conquistar uma medalha?
                Outra análise também nos leva a pensar sobre aquilo que hoje se entende por “indústria do doping”. Sim, ela gera muitos dividendos. Fiscalizar e combater o doping envolve custos elevados. Há vários atores envolvidos. Os escândalos, via de regra, não atingem apenas os atletas, mas também os patrocinadores, os dirigentes, instituições esportivas, a indústria farmacológica, médicos, entre outros.
                Estima-se que as vantagens financeiras obtidas pela indústria farmacológica, pelos laboratórios de aplicação de testes, pelos médicos e "fiscais" do comitê antidoping das organizações esportivas, podem ser maiores se o doping permanecer na ilegalidade. Um possível controle social representaria a divisão de recursos, o pagamento de impostos e a conseqüente responsabilização jurídica e financeira. Não vamos entrar no mérito dessa questão.
                Como a história nos ensina, o maior prejudicado mesmo é o próprio atleta, que tem a sua imagem de “detentor dos valores saudáveis, éticos e morais” deteriorada. Para o atletas de alta perfomance, o alcance de um novo recorde gera elevados ganhos, seja financeiro, na sua exposição positiva perante a mídia, ou na forma de renovação de contratos de patrocínio.  
                A verdade, é que nesse cenário de acirrada competição, ele pode sentir-se pressionado para alcançar melhores resultados por parte de patrocinadores, técnico, fãs, equipe médicas – muitas vezes com o consentimento silencioso deles. A pressão, pode “induzi-lo” ao uso de alguma substância proibida. Portanto, esse assunto envolve mais questões, além dos simples valores éticos e morais da boa conduta esportiva, pois “mexe no bolso de muita gente”.
                Fato mais lamentável é que, a questão do doping não fica restrita somente ao pelotão de elite e atletas de alta perfomance. Ela está presente também lá no pelotão do fundo, com os atletas amadores ou intermediários. Começa com comprimidos estimulantes, relaxantes musculares, uma substância para emagrecer, depois outra para acelerar o metabolismo, o consumo de suplementos sem orientação profissional e, depois..., sabe-se lá o que mais.
                A Contra Relógio (julho/2012) trouxe um interessante artigo sobre o tema, alertando que o consumo de substâncias ilícitas entre os atletas amadores pode ser bem maior do que entre os da elite. Hoje é muito fácil adquirir tais produtos. Basta fazer uma busca rápida pela internet. Como não há controle ou exames nas provas destinadas para este público, fica muito difícil estimar o número de usuários.
                O fato é que, mesmo entre os atletas amadores há também certa pressão por resultados. Seja para receber uma pequena premiação em dinheiro, um troféu de classificação, uma possibilidade de subir ao pódio ou simplesmente uma pressão de amigos, de sua assessoria esportiva, das equipes, etc. Isso pode levá-los a fazerem uso de substâncias proibidas para melhorar o desempenho.
                Entretanto, não vale à pena arriscar e buscar o caminho mais rápido utilizando tais subterfúgios. Quando colocados na balança, observa-se que os riscos impostos à saúde superam as possíveis vantagens. Compromete-se o fígado, o rim, o sistema nervoso, cardiovascular, respiratório, etc. Muitas vezes, é um caminho sem volta. Infelizmente vivemos em um mundo dirigido por resultados. Assim, precisamos aprender a ser pacientes e estabelecer objetivos de desenvolvimento em longo prazo.
                Procure sempre a orientação de um profissional (médico, nutricionista, fisioterapeuta, educador físico, etc.) Dê a si mesmo tempo suficiente para se amadurecer como atleta. Trabalhe o seu desenvolvimento aeróbico, melhore sua força e velocidade no curso de alguns anos, e não em um curto período de 2 a 3 meses.
                Bons conselhos não faltam: não compensa seguir o caminho mais curto e colocar a sua saúde em risco. Treinar corretamente, se alimentar bem e descansar, consiste no grande segredo para se alcançar uma boa perfomance.

Fontes de Apoio:

http://revistacontrarelogio.com.br/materia/doping-entre-corredores-amadores/

sábado, 25 de agosto de 2012

Um “Lance” que ficará na História


Um “Lance” que ficará na História

                O mundo do esporte acompanhou perplexo a sentença anunciada essa semana contra um dos atletas mais bem sucedidos da atualidade: Lance Armstrong. 




                Um ídolo de barro. Foi assim que a imprensa ilustrou o caso. A sentença cruel, proferida pela USADA (United States Anti-doping Agency) retira dele todos os títulos conquistados desde 1 de Agosto de 1998, dentre eles 7 títulos do Tour de France, um dos eventos esportivos mais duros do planeta, além de baní-lo para sempre de qualquer atividade esportiva.
                    A sanção o considera culpado de cinco tipos de violações das regras antidoping:


  • Uso e tentativa de uso de substâncias proibidas, incluindo eritropoietina, transfusões sanguíneas, testosterona e agentes mascarantes;
  • Posse de substâncias proibidas;
  • Tráfico de EPO, testosterona e corticosteróides;
  • Administração ou tentativa de administração de substâncias a outros ciclistas;
  • Auxílio, encorajamento e cumplicidade com outras tentativas e/ou violações de regras antidoping.

                A verdade é que tudo isso parece ter saído de uma grande história de conspiração. Segundo a USADA, além das amostras sanguíneas coletadas desde 1998 até recentemente, várias testemunhas forneceram evidencias suficientes para acusá-lo, muitos até hoje competidores, o delataram em troca de terem suas penas diminuídas por uso confirmado de substâncias ilícitas. Em sua defesa, o atleta considera o processo da USADA desleal, intimidante e ameaçadora com todos aqueles que usam a boa fé.
                Durante os últimos três anos, ele foi duramente investigado, além de sentir-se perseguido por Travis Tygart, CEO da USADA. Por fim, o atleta relatou que ele e sua família, foram muito perseguidos e desgastados. Por isso, ele abriu mão de se defender.
                Entretanto, a história toda ainda está longe de chegar a um fim. Herói ou vilão? Não nos cabe aqui julgar ninguém, especialmente porque não temos todas as peças desse grande quebra-cabeça. De qualquer forma, esse episódio sugere algumas reflexões, as quais deixo para vocês pensarem:

  • Seria essa, uma geração de atletas "sujos"?;
  • Caso Lance Armstrong de fato perca os sete títulos, aqueles que o sucederiam no pódio podem ser considerados "atletas limpos"?



                 A história de vida de Lance Armstrong é repleta de superação, desde que ele venceu um sério episódio de câncer. O fato é que, ao longo de sua vida, ele iniciou um projeto que se tornou vencedor, antes mesmo dele ganhar seu primeiro Tour de France.
               Em outubro desse ano, sua fundação celebrará 15 anos de serviços prestados às pessoas e famílias acometidas e sobreviventes do câncer, que já conseguiu arrecadar mais de 500 milhões de dólares.     
                    A esse projeto vencedor, ele, sua família e colaboradores, passarão a se dedicar integralmente.


Fontes de Apoio:

sábado, 18 de agosto de 2012

6ª Corrida 10 km Gran Cursos


6ª Corrida 10 km Gran Cursos

                Brasília possui o segundo maior mercado no lucrativo segmento de corrida de rua do país (Correio Brasiliense). Suas largas avenidas recebem corredores praticamente todos os fins de semana. Não é raro realizar-se por lá duas ou mais provas em um único final de semana.
                No final da segunda semana de agosto, por exemplo, foram realizadas duas provas: a 6ª Corrida 10 km Gran Cursos, no sábado (11.08) e a Maratona de Revezamento do Pão de Açúcar, no domingo (12.08). 


Imagem 1. Medalha de participação

                Fui conferir e participar dos 10 km do Gran Cursos. Conciliei a corrida com possibilidade de passar o “Dias dos Pais” com a em Brasília. A prova, que já está em sua 6ª edição, faz parte do calendário brasiliense de corridas de rua. Por ser realizada no período noturno é uma ótima opção para os atletas que costumam treinar à noite. Isso também deixou livre o domingo dos “Pais”, para ser compartilhado em família.


Imagem 2. Conciliando a corrida com o "Dia dos Pais"

                Concomitantemente à prova de 10 km, havia um percurso participativo de 5 km, este sem nenhuma premiação para os atletas.  Além de uma boa distribuição de prêmios em dinheiro, os 10 km também fez o reconhecimento por faixa etária, para cada intervalo de 10 anos.
                O kit do atleta foi o básico: uma camisa nas cores vermelha ou azul, número de peito e o chip de cronometragem. Já o kit pós prova foi generoso, com uma belíssima medalha de participação, isotônico, barra de cereal, doce e frutas.
                A Gran Cursos é uma escola especializada para concursos públicos sediada em Brasília. Ela também apóia uma equipe de atletas de excelente nível de desempenho (masculino e feminino) que estão sempre presentes nas principais provas realizadas por lá.
                A prova organizada por eles surpreendeu. Não somente pela organização, mas, também, pelo nível dos atletas encontrados por lá. Tive a oportunidade de ver companheiros de corrida da cidade de Goiânia, além de outros companheiros virtuais.
                    É comum ouvir os “não corredores” dizerem que correr em Brasília é fácil, pois se acredita que quase tudo por lá é “plano”. Ledo engano. O percurso dessa prova mesmo foi muito exigente. A corrida foi realizada praticamente ao longo da porção norte do Eixo Monumental. 


Imagem 3. Percurso da 6a Corrida 10 km Gran Cursos

                Conforme previsto, a largada para os 10 km se deu pontualmente às 19 h. Para os 6 km, um pouco mais tarde, às 19h15min. Saímos da Praça dos Buritis em direção à Torre de TV, em forte descida. A partir da Torre, retornamos até o Memorial JK enfrentando uma subida de igual proporção. A partir do Memorial, voltamos a descer até a antiga Rodoferroviária. Daí, retornamos ao Memorial em uma forte subida, agravada por um forte vento contra, típica do mês de agosto. Encerramos nossa participação com outra descida até a Praça do Buriti.

Imagem 4. Perfil altimétrico do percurso

             A exemplo de outras provas típicas no Distrito Federal houve uma excelente organização em termos de segurança, staffs ao longo do percurso e postos de hidratação, colocados a disposição dos atletas a cada três quilômetros.
             O único aspecto negativo da competição ficou por conta da questão da aferição correta do percurso, um problema crônico encontrado em provas não oficiais brasileiras. Assim, ao invés de falarmos em uma corrida de 10 km, seria melhor falar em uma medida aproximada. Esta, por exemplo, ficou nos 9.760 metros, segundo dados gerados pelo GPS. Infelizmente, essa é uma questão polêmica e sinaliza certo desrespeito, além de prejudicar os atletas, que se preparam arduamente para superarem os seus limites.
                De qualquer forma, participar dessa corrida foi uma grande oportunidade para que os atletas avaliassem seus ritmos de prova em um percurso difícil e que exigiu deles um forte preparo para enfrentar longas descidas e subidas.
                Particularmente, além de fazer novos companheiros, pude rever e conversar com os veteranos. Coloquei meu ritmo de prova em teste e passei um “Dia dos Pais” muito agradável ao lado de minha família, fazendo aquilo que nós, corredores, mais gostamos: correr!
                Mais do que correr, fica o exemplo, especialmente para meus filhos que também estavam presentes apoiando e me incentivando.


Imagem 5. Incentivando os filhos


Fontes de apoio:

www.correiobrasiliense.com.br – 17 de agosto de 2012