quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Asics Golden Four – Etapa de Brasília 2012



Asics Golden Four – Etapa de Brasília 2012

                O circuito de corrida Asics Golden Four – etapa de Brasília - foi uma das provas mais aguardadas do ano pelos corredores de diferentes cidades do país. A expectativa criada em torno dela foi tão intensa que, nos dias que a antecederam, assim como nos subseqüentes, o que mais se viu nas redes sociais era comentários sobre ela. Sem sombra de dúvidas, foi um dos assuntos mais falados neste período.


Imagem 1. Medalha exposta por um dos pontos turísticos percorridos da Capital Federal

                A Asics e a Iguana Sports prepararam todo o cenário para que os corredores pudessem ter a melhor experiência possível de corrida. Como nem tudo sempre é perfeito, passados quase 15 dias de euforia, já com os atletas de volta às suas respectivas cidades de origem, alguns já envolvidos com outras provas, se faz o convite para uma reflexão: Valeu à pena?  
                Para quem ainda não conhece, o Circuito Asics Golden Four é constituído de meias-maratonas puras e, se tornou no Brasil, sinônimo de quebra de recordes pessoais na distância de 21 km. Não é à toa que, os melhores corredores do país se aglomeram nas cidades onde as mesmas são realizadas. Cada edição se aproxima muito de uma “convenção” e ponto de encontro destes atletas.
                A etapa de Brasília, que pela segunda vez sediou uma das provas do circuito, não foi diferente. Aqueles que se prepararam durante o ano para enfrentar os 21 km, provenientes de diferentes cidades, se reuniram no dia 04.11.2012 na Capital Federal, para tentar fixar uma nova marca pessoal na distância. Esta, que foi a última prova do circuito, foi também uma excelente janela de aprendizado, para os participantes e, também, para os organizadores de corridas neste país.


Imagem 2. Atletas em busca de novas marcas pessoais na distância.

                A Asics possui Know-how, quando o assunto é corrida. Afinal, a empresa tem uma experiência de 45 anos patrocinando maratonas em todo o mundo. Geralmente são provas bem organizadas e concorridas e com o número de inscrições limitadas. É com base nessa experiência que eles trouxeram para o Brasil o Circuito Asics Golden Four, com percursos selecionados e predominantemente planos, para que os atletas consigam alcançar seu melhor desempenho nos 21 km.
            Foram selecionadas quatro importantes cidades brasileiras para receber o circuito: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo e Brasília. Este relato tratará exclusivamente da experiência de prova em Brasília. Em 2011, o percurso desenhado na Capital Federal foi considerado o mais rápido de todos os quatro. A altimetria encontrada, com longas descidas e, sendo predominantemente plano, contribuiu para que vários atletas conseguissem bater as suas marcas pessoais.
                Em 2012 uma novidade: uma modificação no percurso. A largada na Praça do Buriti e a chegada na Concha Acústica não sofreram modificações. Todavia, desta vez, os atletas fizeram cerca de 10 km sobre o Eixão e, não, sobre a Avenida das Nações, como em 2011. Apesar da mudança, o que nos impede de fazer comparativos entre as duas edições, procurou-se manter as características principais do evento, especialmente quanto à preocupação dos organizadores em entregar aos atletas um percurso rápido.
                Em 2012, o circuito abriu a temporada mantendo as principais características positivas do ano anterior: largada às 7 horas, separação dos atletas por nível de ritmo nas baias de largada e hidratação a cada 3 km com água e isotônico, etc. As medalhas ficaram maiores e mais bonitas. Também se manteve as medalhas especiais para os atletas Tops 100 (os primeiros 100 corredores amadores que cruzassem a linha de chegada).
                Abaixo estão relacionados alguns dos principais atrativos das provas deste circuito:


Percurso muito rápido (favorável a quebra de recordes)
Golden Four Expo
Loja ASICS com coleção especial
Customização de camisetas
Palestras, massagens durante a exposição
Lanche energético
Um elevado nível de respeito aos atletas
21 km rápidos e muito bem balizados
Segurança no trajeto
Prova certificada pela CBAt
Largada às 7 h
Medalhas exclusivas para os primeiros Top 100 atletas amadores
Largadas em blocos de ritmo diferenciados por perfomance
Postos de hidratação (água e Gatorade) a cada 3 km
Estrutura médica ao longo da corrida
Cronômetros ao longo do percurso com o ritmo de prova
Banheiros químicos ao longo do percurso
Número de participantes limitados (para assegurar a qualidade do evento)
Cerimônia de premiação rápida
R$ 10 mil reais em premiação *por etapa (1º ao 5º lugar)
Premiação Especial (Viagem para a Maratona de Paris ou Nova York (atleta da imprensa, assessoria Asics e atletas amadores)
Troféus para categoria geral
Troféus para categoria faixa etária
Kit ASICS para os três primeiros colocados da categoria amador


                Em 2011 participamos dessa prova. Foi uma grande experiência, onde se confirmou vários dos pontos positivos destacados acima. Entretanto, já naquela época, também foram observados os pontos que poderiam ser melhorados para a edição de 2012. Detalhes podem ser encontrados em: http://companheirosdecorrida.blogspot.com.br/2011/11/golden-four-asics-brasilia-2011.html. Eram fundamentalmente dois:


Como a largada se deu em um lugar e, a chegada, em outro, a organização disponibilizou aos atletas um ônibus para traslado ao valor de R$15,00. Os interessados teriam que comprar o seu Bus Ticket antecipadamente na exposição da corrida. Este traslado poderia ser feito gratuitamente.
Gatorade servido em copos abertos, o que quebra o ritmo dos atletas.


                O evento ocorreu no dia 04.11.2012. Cerca de três mil atletas se inscreveram (20% a mais em relação ao ano anterior)*. A largada ocorreu na Praça do Buriti pontualmente às 6h50min para a Elite Feminina, com cerca de 20 atletas, e às 7h para a Elite Masculina, Elite B e demais corredores, sob condições ideais de clima e temperatura, com o céu parcialmente nublado e termômetro na casa dos 20 graus.


Imagem 3. Largada da Asics Golden Four - Etapa de Brasília 2012.

                Apesar do calor dias antes da prova, com a temperatura atingindo 36º C, a chuva que caiu dois dias antes, elevou a umidade relativa do ar e, assim se manteve por todo o final de semana. Clima agradável, altimetria favorável, largada em descida, foram fatores que contribuíram para um desfecho positivo, o que, de certa forma, consolida a prova de Brasília como o percurso mais rápido entre as quatro etapas do circuito.
                No feminino, a atleta vencedora foi Thabita Kibet (Quênia) com 1h16min08s. No masculino, o paulista de 26 anos Rafael Santos (atleta ASICS Brasil), considerado favorito, fechou a prova com 1h04min58s. Em segundo lugar ficou José Roberto de Jesus com 1h05min25, seguido de Kimosop Kiprono (Quênia) com 1h05min37s. Vejam dados mais completos na tabela abaixo:


ASICS GOLDEN FOUR – BRASÍLIA – 04.11.2012
ELITE FEM
TEMPO
ELITE MASC
TEMPO
1- Thabita Kibet (Quênia)
1h16min08s
1 – Rafael Santos de Novais
1h04min58s
2 – Kleidiane B Jardim
1h17min08s
2 – José Roberto de Jesus
1h05min25s
3 – Roseane Xavier dos Santos
1h17min48s
3 – Kimosop Kiprono (Quênia) 
1h05min37s
4 – Larissa Marcelle Moreira
1h18min29s
4 – Raimundo Nanato Souza Aguiar
1h05min50s
5 – Lucélia de Oliveira Peres
1h19in33s
5 – Flávio Henrique Guimarães
1h06min07s


            A prova disputada pelos atletas de elite, praticamente se resume nos números que eles alcançaram durante a prova. As marcas confirmam o fato do percurso de Brasília ser muito rápido. Entretanto, conforme afirmamos no início deste artigo, uma corrida deste nível proporciona muito aprendizado, especialmente quando se fala de aproximadamente três mil atletas inscritos.
                Mesmo com todo o know-how e recursos que a Asics possui, há em organização de eventos, como esse, uma grande oportunidade de aprendizado para as empresas que se aventuram nessa área. Apesar das dificuldades logísticas, como a largada e chegada em locais diferentes, além de outras variáveis importantes envolvidas, como o grande número de participantes, entrega de kits (pré e pós-prova), aferição e balizamento do novo percurso, que foi muito bem realizado, entre outros aspectos, leva o observador ao seguinte raciocínio: manter tudo isso sincronizado, é um grande desafio. A empresa organizadora deste evento conseguiu.
                Claro que, devido ao porte, considerado até pequeno quando comparado a outros eventos mais tradicionais no Brasil, algumas falhas podem ocorrer e, de fato ocorreram. Felizmente, muitas delas passaram despercebidas, em função do grande número de acertos. Assim, se você trabalha com organização de corridas de rua, e não compareceu ao mesmo para conferir como é que se faz, perdeu uma grande oportunidade. Quem sabe, fica para o próximo ano!
                Sem querer comparar o circuito da Asics com as provas mais concorridas ou mais tradicionais, a organização desse evento deu um show em competência, quando comparado à outras provas brasileiras, sejam elas nacionais e, principalmente, regionais.
                Passados quase quinze dias do evento, ainda vale a pena apresentar alguns pontos importantes para análise e/ou discussão, segundo o que se viu, ouviu e, se pesquisou. Duas questões centrais sobressaíram: o nível de preparo dos atletas inscritos para enfrentar os 21 km e o novo percurso.
                Em Brasília, a edição 2012 apresentou maior número de participantes*.  Estimou-se 3.000 atletas. Foram 20% a mais de inscrições em relação ao ano anterior*. Além disso, a cidade recebeu um grande volume de atletas provenientes de outros Estados, certamente atraídos pela possibilidade de ser uma das provas mais rápidas do país nos 21 km.


Imagem 4. Multidão de corredores fazendo os primeiros 5 km na Esplanada dos Ministérios.

                Entretanto, este número pode ter sido muito maior. Basta conferir junto ao serviço da empresa “Corre pra Foto” (WWW.correprafoto.com.br) e verificar a grande quantidade de atletas não identificados pelo número. Muitos entraram na prova como “pipocas”, isto é, não se registraram oficialmente e, portanto, não tinham o número de peito.
                A participação dos “corredores pipocas” pode se refletir em erro de previsão no abastecimento de água nos postos de hidratação, o que prejudica diretamente os atletas mais lentos. O mesmo ocorre no fornecimento do lanche pós-prova. Imediatamente após a corrida, nas redes sociais, alguns corredores se manifestaram negativamente quanto a essa questão. Eles alegaram ter ficado sem água e sem o lanche.
                Um elevado número de corredores não inscritos oficialmente pode ter sido a causa de a organização ter errado no correto dimensionamento dos suprimentos oferecidos durante a prova. Entretanto, nada tira o mérito da queixa dos participantes quanto à economia no lanche oferecido. Foi muito aquém do esperado. O lanche, para muitos atletas é visto como um item barato e fundamental, especialmente para uma prova de 21 km. Uma pena, tendo em vista o envolvimento direto de uma forte marca de materiais esportivos e com o know-how de mais de 45 anos em corridas de rua.
                Pode parecer contraditório, mas vejam o que ocorreu no ano passado. Para ser considerado TOP 100 e levar para casa uma medalha diferenciada, o atleta teria que finalizar a prova em menos de 01h25min. Em 2012, este mesmo atleta teria que correr para 01h22min. Portanto, elevou-se a competitividade.
                Paradoxalmente, em 2012 também se observou um número muito maior de estreantes e de atletas mais lentos para cumprir a distância exigida, isto é, os 21 km. Por exemplo, em 2011, o último atleta, cruzou a linha de chegada com praticamente 02h59min. Em 2012, foi necessário 03h18min.
                Muitos parecem acreditar que terminar uma corrida, seja em qual estado físico for é sempre um momento especial e uma grande vitória. No mundo real, não funciona bem assim. Independente da distância, a corrida trata bem aqueles que se preparam para ela. Por outro lado, maliciosamente, ela também sabe maltratar aqueles que se aventuram sem o devido preparo.
                Em Brasília foi possível observar as duas situações. Atletas muito bem preparados e outros, não tão bem preparados. Assim, se ascendeu uma luz amarela com relação àqueles que levaram mais de 2h30min para concluir o desafio. Não foram poucos.


Imagem 5. A imagem diz tudo.

                Nesta edição, se observou um abismo quanto ao nível de preparo entre os diferentes atletas. Este cenário sugere que muitos se lançaram ao desafio sem estarem devidamente preparados. É claro que todo corredor deseja e deve assumir desafios. A corrida é o lugar ideal para isso. Trata-se de um desafio contínuo. Todavia, mais do que disposição para assumir estes desafios é necessário, manter a cabeça no lugar e buscar se preparar gradualmente para poder superá-los. 


Imagem 6. Atletas descem a Esplanada dos Ministérios.

                Infelizmente, este é um tema recorrente. O corredor começa nos 5 km, se empolga, em pouco tempo vai para os 10 km e, logo depois quer encarar os 21 km ou até uma maratona. É preciso saber dosar. É como diz muitos treinadores experientes: Não está certo! Falta Lastro! A construção deste lastro pode levar muitos anos, dependendo do atleta. Não é tão fácil assim.
                Para uma prova que reuniu os melhores atletas amadores do país, levar mais do que duas horas para concluir os 21 km é uma coisa impensável. Portanto, pelos resultados apresentados, percebemos que muitos não estavam devidamente preparados. Talvez, haja aqui uma janela de oportunidade para que a organização possa exigir no futuro a apresentação de índices de tempo prévio, antes de confirmar a admissão dos atletas. Isso poderia deixar a prova mais atraente e ainda mais competitiva.
                Outra questão central está relacionada ao novo percurso. Teria ele sido mais difícil ou mais fácil? Qual teria sido o nível de dificuldade. Em 2012, os atletas que correram em Brasília, enfrentaram um percurso diferente de 2011. Este novo percurso teria mantido o mesmo grau de dificuldade ou deixado a prova de fato mais rápida? 


Imagem 7. Novo Percurso da Asics Golden Four - Etapa Brasília 2012

                É uma pergunta cuja resposta não poderá de ser obtida, nem mesmo por quem participou das duas edições. Além disso, essa é uma questão muito relativa. Apesar do atleta Rafael Santos de Novais ter alcançado uma marca melhor do que a obtida em 2011, não é possível afirmar que a prova tenha se tornado mais rápida. Ao analisar os resultados de 2012 VS 2011, de atletas que participaram das duas edições, se vê números equilibrados entre aqueles que conseguiram melhorar suas marcas e aqueles que não obtiveram sucesso nesta questão.
                Como todos já sabem, diversas variáveis podem impactar no tempo de conclusão de uma prova, além do próprio percurso. Para quem correu, o novo percurso pode ser considerado traiçoeiro, até mesmo para os mais experientes. Neste ano, foi possível observar vários corredores “quebrarem” e até desistirem, inclusive atletas TOP 100.
                Fazer 21 km em ritmo de prova de 10 km não é uma tarefa fácil. Além disso, o novo percurso também é muito técnico, o que eleva o seu grau de dificuldade. Pode parecer fácil fazer 5 km em descida, mas não o é. Além do mais, para quem vai correr 21, os primeiros 5 km, geralmente, são de aquecimento. A empolgação para a quebra de recordes é muito grande, mas correr na descida chega a ser mais difícil do que na subida. Exige-se mais. É onde muitos corredores imprimem um ritmo além do que podem manter e, conseqüentemente, “quebram” como ocorreu nesta edição. O que é uma pena. Este pode ter sido um dos motivos pelo qual, vários atletas que correram as duas edições não conseguiram melhorar as suas marcas.
                Para uma comparação visual, abaixo plotamos os dados altimétricos das duas edições da prova em Brasília:

Imagem 8. Altimetria comparativa entre as edições de 2011 e 2012

            Pelas imagens, do ponto de vista numérico, pouca coisa mudou em termos de subidas e descidas. Aparentemente, a organização conseguiu desenhar um novo percurso com poucas mudanças impactantes. Entretanto, visualmente falando e, para quem esteve lá, a edição de 2012 parece ter sido muito mais desafiadora.
                O resultado comparativo entre os atletas que participaram das duas edições não deixa a menor dúvida. Infelizmente, estes números não podem ser comparados. Da mesma forma, também não se pode falar em recorde no percurso. Talvez, em 2013, mantendo-se o mesmo percurso, será possível esclarecer essa questão.
                Apesar do sucesso do evento e do excelente nível de organização da prova, alguns pontos de melhoria podem ser novamente indicados e seguem abaixo. Esperamos que na edição de 2013, possam ser corrigidos, para que o evento continue sendo um objeto de desejo dos corredores de longa distância.


Muitos atletas se queixaram quanto ao preço praticados nos produtos em exposição no Stand da ASICS;
Alguns atletas que se inscreveram na Elite B não receberam o número de peito diferenciado (o de cor azul) e acabaram tendo de largar no Pelotão Geral (cor laranja);
Como a largada e chegada em locais distintos, a organização disponibilizou um ônibus para traslado ao valor de R$15,00. Os interessados teriam que comprar o seu Bus Ticket antecipadamente. Alguns nem ficaram sabendo deste serviço. Este traslado poderia ser feito gratuitamente. Muitos atletas se queixaram da dificuldade para retornar ao local onde deixaram os seus veículos. Alguns, chegaram a disputar taxi “aos tapas”;
Gatorade servido em copos abertos, o que quebra o ritmo dos atletas.
Água servida antes do Gatorade (o ideal, para muitos, seria depois);
Água e Gatorade servidos em lados opostos do percurso, o que levou os atletas a terem que ficar cruzando a pista, caso desejassem desfrutar dos dois;
Atletas se queixaram da falta de um posto de hidratação entre os km 15 e 18, o que prejudicou os mais lentos;
Atletas se queixaram de não terem conseguido pegar o lanche, no pós-prova;
Ausência de um tapete de cronometragem para controle dos atletas no meio do percurso;
Diversas queixas quanto a divergência no tempo líquido divulgado pela empresa organizadora do evento.

            Se você participou dessa prova, deixe os seus comentários e suas impressões abaixo. É muito importante que os atletas coloquem suas observações, queixas e os elogios, pois somente assim, nós, que vivemos o “desafio das ruas”, poderemos participar ou mesmo influenciar nas decisões das empresas organizadoras. Ao menos, estaremos dando nossas versões acerca do que vivemos, correndo.
                Boas corridas!

Fonte de Apoio

*Dados disponibilizados pela organização

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Golden Four Asics 2012



A Corrida Dourada da Asics

            A Asics possui uma experiência de aproximadamente 45 anos patrocinando maratonas em todo o mundo. São provas bem organizadas e concorridas. Geralmente, o número de inscrições é limitado. É com base nessa experiência que trouxeram para o Brasil este circuito de corrida. As imagens abaixo mostram alguns detalhes de como foi a Etapa de Brasília em 2011.


Imagem 1. Pelotão de Elite B no funi: Preparados para a largada

Imagem 2. Largada do pelotão de Elite.

Imagem 3. Largada dos demais corredores

            A Asics Golden Four é constituída por meias-maratonas puras, isto é, não há outras opções de distância. Os circuitos são muito bem selecionados, sendo predominantemente planos e desenhados para que os atletas desenvolvam seu melhor desempenho na marca dos 21 km.
             Para alcançar esse objetivo, a Asics reservou datas especiais no calendário de corridas de quatro importantes cidades brasileiras: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo e Brasília. Brasília, considerada em 2011 como o percurso mais rápido do circuito, se prepara para sediar neste próximo dia 04.11.2012 a última etapa do circuito. 
              As longas descidas no percurso da Capital Federal ajudaram a elevar ainda mais a média final dos participantes, o que deixou a prova muito rápida. Em 2012 houve uma modificação neste percurso. A largada na Praça do Buriti e a chegada na Concha Acústica não sofreram modificações. Entretanto, desta vez, os atletas farão cerca de 10 quilômetros sobre o Eixão e, não, sobre a Avenida das Nações, como foi em 2011. Somente depois da prova se saberá qual o real impacto desta mudança no percurso.

Imagem 4. Percurso do Circuito Asics Golden Four-  Etapa Brasília 2012

                A meta do circuito, que já caiu na graça dos corredores de longa distância de todo o país, é proporcionar aos atletas, de elite ou amadores, um circuito onde se consiga alcançar novos recordes pessoais na distância. É uma prova totalmente voltada para a perfomance em meia-maratona.


Imagem 5. Chegada dos primeiros colocados

Imagem 6. Atletas descem pela rampa do Congresso

Imagem 7. Primeiros colocados

Imagem 8. Minha chegada

                Em 2012, o circuito G4A abriu a temporada mantendo as principais características positivas do ano anterior: largada às 7 horas, separação dos atletas por nível de ritmo nas baias de largada e hidratação a cada 3 km com água e isotônico, etc. As medalhas estão maiores e mais bonitas. Mantiveram-se as medalhas dos tops 100 para os primeiros corredores amadores que cruzarem a linha de chegada.
                Abaixo se encontram alguns dos principais atrativos do circuito:


Golden Four Expo
Loja ASICS com coleção especial
Customização de camisetas
Palestras, massagens durante a exposição
Lanche energético
Nível de respeito aos atletas considerado ótimo
Circuito de 21 km muito rápido
Segurança no trajeto
Prova certificada pela CBAt
Largada prevista para as 7 h
Medalhas exclusivas para os primeiros Top 100 atletas amadores
Largadas em blocos de ritmo diferenciados por perfomance
Postos de hidratação (água e Gatorade) a cada 3 km
Estrutura médica ao longo da corrida
Cronômetros ao longo do percurso com o ritmo de prova
Banheiros químicos ao longo do percurso
Número de participantes limitados (para assegurar a qualidade do evento)
Cerimônia de premiação rápida
R$ 10 mil reais em premiação *por etapa (1º ao 5º lugar)
Premiação Especial (Viagem para a Maratona de Paris ou Nova York (atleta da imprensa, assessoria Asics e atletas amadores)
Troféus para categoria geral
Troféus para categoria faixa etária
Kit ASICS para os três primeiros colocados da categoria amador


                Em 2011 tivemos a oportunidade de participar deste circuito durante a Etapa de Brasília (veja o relato em: http://companheirosdecorrida.blogspot.com.br/2011/11/golden-four-asics-brasilia-2011.html) . Foi uma grande experiência onde confirmamos todos os pontos positivos relatados acima. Entretanto, vimos também alguns pontos que poderiam ser melhorados para a edição de 2012, como por exemplo:


Como a largada se deu em um lugar e, a chegada, em outro, a organização disponibilizou aos atletas um ônibus para traslado ao valor de R$15,00. Os interessados teriam que comprar o seu Bus Ticket antecipadamente na exposição da corrida. Este traslado poderia ser feito gratuitamente.
Gatorade servido em copos abertos, o que quebra o ritmo dos atletas.


                Presenciamos muitos companheiros superando suas marcas pessoais na distância. Não temos a menor dúvida de que nesse ano não será diferente!
                Aos que forem participar,
                Tenham uma boa corrida!

                Vejam mais algumas imagens abaixo: 


Imagem 9. Cordão de corredores logo após a Largada dos atletas

Imagem 10. Ainda logo após a largada

Imagem 11. Atletas se preparam para descer o Eixo Monumental.

Imagem 12. Atletas descendo o Eixo Monumental

Imagem 13. Logo após a largada

Imagem 14. Próximo à Torre de TV.

Imagem 15. Ao lado da Torre de TV

Imagem 16. Descendo a rampa do Congresso

Imagem 17. Atletas descendo a rampa do Congresso

Imagem 18. Atletas descendo a rampa do Congresso e um reporter em busca de notícia.







           

Desafio CAIXA – Contra Relógio 2012




O Corredor Iniciante


                As provas de 5 e 10 km são importantes na vida de um corredor, pois constituem a porta de entrada para a maioria dos iniciantes na corrida de rua. Vencido o desafio dos 5 km, rapidamente, a maioria já pensa em migrar para os 10 km e, os apelos para se correr 10 km, são muitos.
                As estimativas com relação ao número de praticantes de corridas de rua no país são muito polêmicas e, quase sempre, não citam fontes muito confiáveis. Estima-se mais de quatro milhões de corredores no Brasil. Para mantê-los motivados são realizadas mais de 600 competições anualmente. Destas, 25% são provas de 10 km, realizadas predominantemente na região sudeste.
            Uma prova de 10 km exerce fascínio sobre os corredores. A distância é a medida exata para se trabalhar dentro dos limites de velocidade e resistência. Trata-se de uma quilometragem, cujo treinamento não sobrecarrega a rotina, entretanto, sua preparação requer planejamento. Sendo uma ótima combinação de velocidade e resistência, essa distância ajuda a perder peso e adquirir um bom condicionamento físico.
             Apesar do número crescente de praticantes de corridas de rua no Brasil o que, conseqüentemente torna o mercado de corrida de rua um segmento cada vez mais lucrativo e atraente, um aspecto comum, inerente à realidade de grande parte dos corredores brasileiros é o fato se iniciar na atividade sem uma correta orientação. Muitos simplesmente começam a correr.
                Se lançam nessa "aventura" sem sequer fazer o check-up médico necessário para se iniciar na atividade esportiva com uma boa margem de segurança. Outro aspecto importante e, mais negligenciado ainda, é o fato destes iniciantes não se cercarem de profissionais que possam dar-lhes maior apoio à cada etapa de seu desenvolvimento. Seja, um profissional de Educação Física, um Nutricionista, etc. Eles são fundamentais na formação da base do futuro atleta.
                Em longo prazo, a combinação desse cenário pode gerar estagnação no desempenho, recorrência na incidência de lesões e, até mesmo, a desmotivação do corredor, o que pode levá-lo, inclusive, a abandonar a prática da atividade que se iniciou de forma tão prazerosa. Essa é a realidade de muitos corredores no Brasil.
              Quando se fala em desempenho, um atleta iniciante, mesmo de forma improvisada, em sua primeira prova de 5 km costuma levar de 27 a 30 minutos para concluí-la. Em três a cinco meses, ele já quer experimentar uma nova distância. A prova de 10 km é a preferida.
            Em sua estréia nos 10 km, eles costumam levar de 50 a 60 minutos para concluí-la. Com poucos meses de treinos, suas marcas caem substancialmente. Podem passar para menos de 25 minutos nos 5 km e de 45 minutos nos 10 km. Mais alguns meses, eles já pensam em estrear em provas mais longas, como os 21 km (meias maratonas) e os 42 km (maratonas).
                Mesmo sem a correta orientação de um profissional para ajudá-los na formação da base, os ganhos obtidos em desempenho são tão grandes entre as primeiras marcas e as posteriores, que parece haver um abismo entre elas. De fato há um abismo. Entretanto, em muito pouco tempo, sem orientação individualizada por um profissional e, conseqüentemente, sem uma base bem construída, o corredor geralmente cai na “armadilha da estagnação do desempenho”.
                Com exceção dos atletas de alto desempenho, que se iniciam na prática da atividade esportiva cercados de toda a orientação possível, a história da maioria dos corredores é sempre a mesma. 


Valeu a Pena!


                Essa também foi a minha história. Em 2011, participando de provas em Goiânia e em Brasília, minha marca pessoal na distância de 10 km não saia do lugar. Oscilava sempre entre 42 a 41min, dependendo do percurso.
                Para muitos atletas fazer 10 km em menos de 40 minutos pode parecer uma tarefa fácil. Tenho vários companheiros que conseguem, até com um tempo bem menor. Entretanto, essa não era a minha realidade. Só para se ter idéia do tamanho do desafio, tomarei como exemplo a 27ª Tribuna de Santos, considerada uma das maiores e mais rápidas corridas na distância de 10 km da América do Sul. Em 2012, a corrida envolveu quase 16 mil participantes.Destes, 8.768 eram atletas do sexo masculino. Menos de 5% deles  conseguiram fechar os 10 km abaixo de 40 minutos.  Portanto, um sonho de meta para muitos!
                É com muita admiração que eu observo os corredores que conseguem fechar os 10 km abaixo de 40 minutos. De certa forma, ser sub 40 em uma prova de 10 km virou objeto do desejo e tornou-se parte de meus objetivos pessoais no mundo da corrida.
                Também fui vítima da estagnação. Mesmo treinando forte, dia sim, dia não, os ganhos obtidos em desempenho eram pequenos: alguns segundos a mais, ou a menos. No fundo, imaginava que em, algum dia, alcançaria esse objetivo. Foi quando surgiu o desafio proposto pela Revista Contra Relógio em estimular os atletas a alcançarem seus objetivos pessoais em diferentes marcas: 10, 21 e 42 km.
                A princípio relutei em aceitar o desafio proposto pela revista, pois depois de tanto treinar, aprendi na prática que é muito mais fácil progredir de 45 para 42 min., do que sair de 41 para 40 minutos na distância de 10 km. É outro abismo enorme.
                Esse foi o principal diferencial do Desafio CAIXA - Contra Relógio: motivar os corredores a buscarem suas marcas pessoais em diferentes distâncias em provas oficiais no Brasil. Ao todo, foram cerca de mil corredores inscritos. Eu fui um deles. De acordo com as regras estabelecidas pelo desafio, não seria suficiente para comprovar o êxito apenas informar a marca. A Competição teria que ser oficial com o percurso aferido.


Imagem 1. Frente da camiseta Desafio CAIXA - Contra Relógio 2012

Imagem 2. Verso da camiseta Desafio CAIXA - Contra Relógio 2012

    Aqui vale fazer menção a outro artigo postado neste blog anteriormente (http://companheirosdecorrida.blogspot.com.br/2012/10/4-meia-maratona-de-goiania.html). Trata-se dos valores exigidos na forma de inscrição para estas provas. Ao pagar sua inscrição, o atleta não está apenas “investindo em sua saúde”. Ele compra um serviço. Ele contrata uma determinada empresa para controlar algumas das principais variáveis externas que possam afetar o seu desempenho e poder se concentrar somente no “puro espírito da corrida”.
                Ele “adquire” o direito de ter uma corrida monitorada, segura, aferida e com o seu tempo devidamente cronometrado. Ele não pede por um favor. Ao contrário, ele paga caro por isso. Trata-se de uma prestação de serviços. Se algo não sai a contento, ele tem o direito de reclamar.
                Retornando ao foco desse artigo, a princípio acreditava que um dos motivos pelo qual eu não conseguia alcançar a marca desejada era em função do perfil altimétrico das corridas de rua de Goiânia e Brasília, que geralmente envolvem percursos com muitas subidas.
                Essa foi uma das razões que me inspirou a me inscrever na Corrida da Tribuna de 2012, além da vontade de conhecer pessoalmente essa prova, considerada uma das maiores na distância de 10 km. Pessoalmente, foi uma das melhores experiências que vivi no mundo da corrida. Tanto é verdade que a chamei de: “A corrida Perfeita” (vejam mais detalhes em: http://companheirosdecorrida.blogspot.com.br/2012/05/27-10-km-tribuna-fm-unilus.html).


Imagem 3. Em Santos, durante a 27a Corrida da Tribuna 2012: " A prova perfeita!"

                Infelizmente, não foi lá que consegui realizar meu sonho de ser “sub 40”. Bati na trave, mas valeu muito a pena ter participado. Mesmo correndo, ainda em fase de recuperação de uma lesão, consegui fechar a prova com o tempo líquido de 40min48segundos. Quase! Não desisti. Continuei treinando.
                Finalmente, consegui realizar esse sonho em um local onde eu não achava que seria possível. Foi durante o Circuito de Corrida Pague Menos – Etapa de Goiânia – realizada no dia 26.08.2012, onde alcancei a marca de 39min40seg. Posteriormente, consegui ratificar a marca durante o Circuito Nacional de Corrida dos Carteiros - Etapa de Goiânia - realizada no dia 12.10.2012. Ambas realizadas sobre um circuito com perfil altimétrico muito exigente. 


Imagem 4. Durante o 3o Circuito de Corrida Pague Menos - Etapa Goiânia 2012

Imagem 5. Durante o Circuito de Corrida dos Carteiros - Etapa Goiânia 2012

                Valeu a pena esperar!
                Os nossos agradecimentos e os Parabéns à Revista Contra Relógio e a CAIXA pela iniciativa na criação do Desafio Sub 40.  
                O histórico de um corredor, geralmente é o histórico de muitos outros. O “desafio” é, e sempre será, uma fonte de estímulo e motivação para todos os atletas que buscam nele uma fonte inesgotável de inspiração.
                Conseguir alcançar a marca pessoal em casa, não tem preço!
                Um grande abraço e boas corridas! 


Fontes de Apoio:

Revista Runner´s – Edição 34 – agosto de 2011.
Revista Contra Relógio – Ano 19 – No 224 – Maio de 2012.